quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Ficar velho é obrigatório, crescer é opcional!

No primeiro dia de aulas o professor apresentou-se e desafiou-nos a que nos apresentássemos a alguém que não conhecêssemos ainda. Eu fiquei em pé para olhar ao redor quando uma mão suave me tocou no ombro. Olhei para trás e vi uma pequena senhora, velhinha e enrugada, sorrindo radiante para mim, com um sorriso que iluminava todo o seu ser. Ela disse: - Olá menina, chamo-me Rosa. Eu tenho oitenta e sete anos de idade. Posso dar-te um abraço? 
Eu ri, e respondi entusiasticamente: - É claro que pode! - Por que razão está na faculdade em tão tenra e inocente idade? - Perguntei. 
Ela respondeu brincalhona: - Estou aqui para encontrar um marido rico, casar, ter um casal de filhos, e então me aposentar e viajar. 
- Está a brincar – disse eu. Eu estava curiosa para saber o que a havia motivado a entrar neste desafio com a sua idade, e ela disse: - Eu sempre sonhei em ter um curso universitário, e agora tenho a possibilidade de ter um! 
No final da aula, caminhámos para a cantina dos estudantes, e bebemos um café. Ficámos amigas. Todos os dias nos juntávamos nas aulas e falávamos sem parar. Eu ficava sempre extasiada a ouvir aquela "máquina do tempo" compartilhar a sua experiência e sabedoria comigo. No decurso de um ano, Rosa tornou-se um ícone na Universidade, e fazia amigos facilmente, onde quer que fosse. Ela adorava vestir-se bem, e revelava-se na atenção que lhe davam os outros colegas de estudo. Rosa estava a viver a vida! 
No final do semestre convidámos a Rosa para falar no nosso jantar de final de aulas. Jamais esquecerei o que ela nos ensinou. Foi apresentada e aproximou-se do pódio. Quando começou a ler o texto que tinha preparado, deixou cair três das cinco folhas no chão. Frustrada e um pouco embaraçada pegou no microfone e disse simplesmente: - Desculpem-me estou tão nervosa! Deixei de beber por causa da Quaresma, e este uísque está a matar-me! Não vou conseguir colocar os papéis em ordem de novo, então vou apenas falar-vos sobre aquilo que eu sei. Enquanto nos ríamos, Rosa bebeu um golo de água e começou: 
- Nós não paramos de amar porque ficamos velhos; nós ficamos velhos porque paramos de amar. Existem somente quatro segredos para se continuar jovem, feliz e com sucesso. 
1 – Rir e encontrar humor em cada dia. 
2 - Ter um sonho. Quando se deixa de sonhar, morre-se. Há tantas pessoas por aí que estão mortas e nem desconfiam! 
3 - Há uma enorme diferença entre ficar velho e crescer. Quando se tem dezanove anos de idade e fica deitado na cama durante um ano inteiro, sem fazer nada de produtivo, você ficará com vinte anos. Se eu tenho oitenta e sete anos e ficar na cama por um ano e não fizer nada, eu ficarei com oitenta e oito anos. Qualquer um consegue ficar mais velho. Isso não exige talento nem habilidade. A ideia é crescer através de sempre encontrar oportunidade na novidade. Para isto não precisa de nenhum talento ou habilidade. A ideia é crescer sempre encontrando a oportunidade de mudar. Não tenha remorsos. 
4 - Os velhos geralmente não se arrependem daquilo que fizeram, mas sim daquilo que deixaram de fazer. As únicas pessoas que têm medo da morte são aquelas que têm remorsos.     
Rosa concluiu o seu discurso cantando corajosamente "A Rosa". Desafiou cada um de nós a estudar poesia e vivê-la na vida diária. No final do ano a Rosa terminou o último ano da faculdade que começou há 4 anos atrás. Uma semana depois da formatura, Rosa morreu tranquilamente no seu sono. Mais de dois mil alunos da faculdade foram ao seu funeral, em tributo à maravilhosa mulher que ensinou, através do seu exemplo, que nunca é tarde demais para ser tudo aquilo que você pode provavelmente ser.

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